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Rio Branco Esporte Clube

Nem cidade Americana era quando aquelas 25 pessoas resolveram se reunir naquela vila...

Nem cidade Americana era quando aquelas 25 pessoas resolveram se reunir naquela vila para fundar o Sport Club Arromba.
Nem existia ainda a Rua Florindo Cibin, mas existia a venda de Florindo Cibin, onde segundo Vergílio Braga, ex-jogador do clube, eles se reuniram e definiram: o uniforme será alvinegro.
Nem ruas existiam ainda lá no começo da hoje Avenida Brasil, onde era o Parque Ideal, local onde desde 1915 o Arromba organizava festejos, com direito até a corrida de canoas, de ovos, de tamancos e de sacos, para arrecadar fundos para pagar suas contas.
Nem existia ainda a Rua Fortunato Basseto, hoje na Vila Medon. Mas existia o próprio Fortunato Basseto, que assumiu a presidência do clube em maio de 1916 após a morte de Cristiano Vescel. Foi Basseto quem começou a fazer o Rio Branco grande. E foi ele que pediu a mudança de nome, primeiro para Vila Americana Football Club, depois concordando com Rio Branco Football Club.
Americana ainda não era nem uma cidade.
E o Rio Branco já jogava fora do Estado de São Paulo. E já era campeão da Zona Paulista. E depois bicampeão do interior, o que lhe deu o direito de enfrentar o melhor time do Estado em 1922 e 1923, o Corinthians, na Capital.
Americana ainda não era nem uma cidade.
Mas já tinha desfile de Carnaval. O de 1923 teve como grande homenageado o Rio Branco, que havia acabado de conquistar seu primeiro título do interior.
O Rio Branco já tinha estádio próprio, com arquibancada. E Americana nem cidade era.
Nem futebol profissional o Rio Branco tinha quando alguns malucos se empenharam na missão de erguer um estádio. Anos mais tarde, o nome que deram ao Riobrancão foi uma homenagem ao maior maluco deles, Décio Vitta.
Nem imaginavam os jogadores o que lhes esperavam depois daquele histórico 1º de dezembro de 1990. Muitos ainda choram hoje ao relembrarem a recepção que tiveram em Americana quando conquistaram aquele tão sonhado acesso, na distante Olimpia.
Nem imaginavam também que anos depois, o clube viraria um celeiro graças principalmente a um técnico já experiente, Cilinho, que nunca deixava de olhar com carinho para a formação do atleta. Um nome que merece um busto na entrada do estádio.
E foi um atrás do outro. Marcos Assunção, Mineiro, Marcos Senna, Flávio Conceição, e tantos outros que certamente nem sonhavam em virar o que viraram no futebol nacional e internacional quando ainda meninos corriam no gramado do Décio Vitta e dormiam nos alojamentos lá em cima.
Nem conheço alguém da cidade que não tenha uma história para contar do Rio Branco. Da sede social, da piscina, dos campos da sede náutica, das matinês, das domingueiras e sabadeiras ou da arquibancada do Riobrancão.
Nem sei quanto tempo dediquei a reescrever esta história.
Nem sei quanto tempo ainda dedicarei a reescrever esta história.
Só sei que alguém tinha de fazer isso.
Porque Americana nem cidade era. E já tinha um patrimônio.

Claudio Gioria é jornalista e historiador do clube e escreveu esse texto como colaboração para o site do Rio Branco

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